Um novo déficit neurológico em um paciente que teve AVC isquêmico recentemente cria uma decisão difícil: ainda é possível considerar trombólise intravenosa?
A resposta não cabe em uma regra automática. AVC isquêmico nos últimos 3 meses aumenta o risco de hemorragia intracraniana após trombólise, mas as diretrizes mais recentes orientam que o risco seja ponderado individualmente contra o potencial benefício, levando em conta o intervalo e o tamanho do AVC prévio, a gravidade do déficit atual e os achados de imagem.
O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e a elegibilidade
O paciente precisa de avaliação imediata em protocolo de AVC. A tomografia de crânio sem contraste é essencial para excluir hemorragia; conforme o cenário, angiotomografia e técnicas de perfusão ajudam a definir oclusão de grande vaso, tecido potencialmente recuperável e indicação de terapia endovascular.
Não se trata de trombolisar sem imagem ou de decidir apenas pela história de AVC recente. A imagem, a hora de início ou última vez bem, os medicamentos em uso, o risco hemorrágico e a possibilidade de trombectomia precisam entrar na mesma decisão.
Déficit incapacitante não é sinônimo de NIHSS alto
Uma pergunta prática ajuda: se esse déficit persistir, ele impede a pessoa de caminhar, trabalhar ou executar uma atividade essencial da sua rotina?
O NIHSS é útil, mas não decide sozinho. Uma paresia de membro inferior que impede a marcha pode receber pontuação baixa e, mesmo assim, ser incapacitante. Da mesma forma, alterações de linguagem, campo visual, coordenação ou déficit de circulação posterior podem ter impacto funcional importante apesar de uma escala aparentemente modesta.
O que pesa na decisão?
- tempo e características do AVC prévio;
- natureza e impacto funcional do déficit atual;
- tomografia e, quando disponível, imagem vascular e de perfusão;
- risco de sangramento e uso de anticoagulantes;
- suspeita de oclusão de grande vaso e acesso rápido à trombectomia;
- experiência do centro de referência e discussão com neurologia vascular.
Mensagem prática
AVC recente não deve encerrar a discussão por si só, mas também não torna a trombólise uma decisão simples. Diante de novo déficit potencialmente incapacitante, o caminho é encaminhamento imediato a um centro de AVC com imagem adequada e decisão individualizada, sem atrasar a avaliação especializada.
Conteúdo educacional. A decisão de reperfusão no AVC agudo exige protocolo institucional, avaliação especializada e integração de história, exame e imagem.
