choque hemodinâmico

Push-dose de adrenalina: como usar com segurança na instabilidade hemodinâmica

Entenda o papel da adrenalina em bolus como ponte em cenários de hipotensão aguda, os riscos de erro de diluição e os pontos de segurança que não podem ser ignorados.

Admin
1 de outubro de 2026
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Push-dose de adrenalina: como usar com segurança na instabilidade hemodinâmica

Na instabilidade hemodinâmica aguda, alguns minutos podem separar uma queda transitória de pressão de uma deterioração grave de perfusão. É nesse intervalo que o push-dose de adrenalina pode ser usado como medida de ponte: doses pequenas, tituladas e com monitorização contínua enquanto se corrige a causa e se organiza uma estratégia definitiva.

O que é o push-dose de adrenalina?

É a administração intravenosa de adrenalina em pequenos bolus para obter elevação hemodinâmica rápida e temporária. Não substitui a investigação da causa da hipotensão, reposição quando indicada, suporte ventilatório, tratamento etiológico nem a instalação oportuna de uma infusão vasoativa quando o paciente necessita de suporte sustentado.

Na prática, o racional é ganhar tempo em situações como peri-intubação, deterioração súbita ou hipotensão refratária enquanto a equipe prepara a conduta definitiva. A resposta deve ser acompanhada à beira do leito por pressão arterial, frequência cardíaca, perfusão periférica, nível de consciência e, quando disponível, ultrassom e outros marcadores de perfusão.

A preparação exige atenção máxima

O principal risco não é apenas escolher o vasopressor: é errar a diluição ou a dose. Uma preparação frequentemente descrita para adultos é diluir 1 mg de adrenalina em 99 mL de solução fisiológica, obtendo concentração de 10 mcg/mL. Nessa concentração, bolus pequenos podem ser titulados à resposta hemodinâmica; no protocolo discutido, são usados volumes de 0,5 a 2 mL a cada cerca de cinco minutos, sempre com reavaliação antes de repetir.

Mas essa não deve ser uma receita automática. A concentração disponível, a apresentação do medicamento e os protocolos variam entre serviços. A equipe deve usar uma preparação padronizada pela instituição, preferir seringas prontas quando disponíveis e fazer dupla checagem de fármaco, concentração, via e dose.

Quando pensar nessa estratégia?

  • Hipotensão aguda com risco de deterioração iminente, especialmente quando é necessário estabilizar o paciente enquanto se prepara infusão vasoativa.
  • Peri-intubação, quando há alto risco de colapso hemodinâmico e uma ponte de curta duração pode ser necessária.
  • Bradicardia ou choque com baixo débito, em contexto compatível com o perfil farmacológico da adrenalina e após avaliação clínica do mecanismo predominante.

O objetivo não é normalizar um número isolado de pressão arterial. É recuperar perfusão e evitar o tempo sem suporte adequado, tratando em paralelo a causa do choque.

Bolus é ponte, não destino

Se a necessidade de bolus se repete, isso sinaliza que o paciente precisa de uma estratégia mais estável. Nesse cenário, a equipe deve antecipar acesso adequado, bomba de infusão e vasopressor/inotrópico em infusão conforme o fenótipo hemodinâmico. Dados observacionais em pronto atendimento mostram que muitos pacientes que recebem adrenalina em push-dose acabam necessitando de infusão contínua posteriormente.

Erros e efeitos adversos

Taquiarritmias, hipertensão excessiva, isquemia miocárdica e piora da demanda de oxigênio são riscos relevantes. Além disso, a diluição feita à beira do leito aumenta o risco de erro de dose. Um estudo de revisão de prontuários e vídeos em emergência encontrou eventos hemodinâmicos adversos e erros humanos frequentes no uso de vasopressores em bolus, reforçando a importância de protocolos, rotulagem e dupla conferência.

Checklist prático

  1. Reconheça a hipotensão com sinais de hipoperfusão e trate a causa em paralelo.
  2. Defina se a adrenalina é coerente com o perfil hemodinâmico do paciente.
  3. Use concentração padronizada e confirme a apresentação do medicamento antes de aspirar.
  4. Administre apenas com monitorização e reavalie a resposta após cada bolus.
  5. Se houver necessidade recorrente, progrida rapidamente para suporte contínuo e estratégia definitiva.

Mensagem final: o push-dose de adrenalina pode ser útil como ponte em pacientes selecionados, mas exige preparo padronizado, monitorização e raciocínio fisiológico. Não é substituto de infusão vasoativa, tratamento etiológico ou protocolo institucional.


Conteúdo educacional destinado a profissionais de saúde. Não substitui protocolos institucionais, supervisão clínica nem julgamento individual do caso.

Referências

  1. Simon EL, et al. Push-Dose Epinephrine Utilization in the Emergency Department - A Multi-Center Study. J Emerg Med. 2025. PMID: 40537296.
  2. Cole JB, et al. Human Errors and Adverse Hemodynamic Events Related to Push Dose Pressors in the Emergency Department. J Med Toxicol. 2019. PMID: 31270748.
  3. Berkenbush M, et al. Scoping Review: Is Push-Dose Norepinephrine a Better Choice? West J Emerg Med. 2024. PMID: 39319801.

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